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No seguimento do post anterior, proponho então que reflitamos sobre o que realmente está em jogo nesta conferência. Á partida, se lermos o que escrevi no post Climate Change Leadership Porto Summit 2018 - apresentação (se ainda não leram, convido-vos a fazê-lo) soa tudo muito bem... não soa?

Analise-se, então, com algum cuidado a apresentação deste "Porto Protocol", que pode ser encontrada no site do próprio summit (http://www.climatechange-porto.com/porto-protocol/). 

Depois das primeiras considerações (vagas) sobre os objectivos do protocolo, já aqui enunciados anteriormente, pode ler-se a explicação da escolha da empresa víniticola para liderar este processo - "as marcas geram valor acrescentado em que os produtores podem investir para ultrapassar os problemas como os das alterações climáticas. As marcas são amplificadores da comunicação. Há um onus reputacional para que os donos dessas marcas hajam responsávelmente em prol do interesse público"

 - repare-se: um onus reputacional. Afinal, nada tem a ver com "deixar para as gerações futuras" e sim "manter o bom nome da marca"  - passamos depressa da declaração de príncipios para o socialmente favorável/expectável. Se mudarem as motivações sociais, mudarão os ónus reputacionais?

Adiante, continuam: "lutar contra as alterações climáticas não é apenas uma questão de responsabilidade ambiental e boa cidadania empresarial. O melhor uso de recursos reduz os custos. Garantir um futuro sustentável motiva os empregado e atrai investimento. Gera boa vontade entre os consumidores e ajuda a incrementar cada vez mais a protecção das dimensões importantes da nossa indústria, como o turismo viníticola"

 - sim, eu sei. Um bom orador e um bom merchandiser deve apelar a todas as dimensões sociais e falar a linguagem de todos os intervenientes para conseguir um objectivo único de vender e rentabilizar uma ideia/produto, neste caso, a luta conjunta contra as alterações climáticas. Mas uma coisa é falar-se em economia, em investimento e redução de custos - embora eu já considere péssimo ter de adoptar este tipo de discurso para se conseguir uma acção que deveria basear-se apenas em príncipios morais, éticos e de consciência social - e outra completamente diferente é falar-se em "gerar boa vontade" por parte dos consumidores. 

Afinal, para que serve esta plataforma? Para gerar um meio de todos os intervenientes se comunicarem, dividirem tarefas e objectivos e gerarem soluções para um problema comum de modo a melhorar o seu desempenho e também a criar um Ambiente mais nobre para as gerações futuras? Ou a manter um determinado estatuto expectável socialmente para que se consiga convencer as massas a investir na nossa marca e assim gerar o lucro necessário para que nos mantenhamos de negócio em pé?

Afinal, trata-se de aproveitar a nossa posição no mercado para promover a sustentabilidade ou aproveitar a sustentabilidade para promover a nossa posição no mercado?

Pensemos nisso. Nisso, e no facto do Exmo Senhor Barack Obama ter cobrado meio milhão de euros para participar desta conferência.

Tenham uma boa semana! 

 

 

 

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